Tal como tinha acontecido no dia 6 de Junho, a corrida que encerrou a Feira Nacional da Agricultura em Santarém teve todos os condimentos para ser um grande acontecimento. E por fim, os aficionados saíram todos da Celestino Graça a tourear pelas calles.
Sector 9 em Santarém, o exemplo a seguir
Quando entre aficionados se fala que a festa tem os dias contados, deveria-se olhar para dentro, como criar aficion e atrair público para as praças. Sendo a maior praça do país, a Celestino Graça, tal como Las Ventas em Madrid, tem atualmente as condições ideais para ser a número 1 em Portugal.
A Associação Sector 9 consegue, frequentemente montar cartéis apelativos, compostos pelas figuras nacionais e internacionais. Além disso, os toiros são escolhidos para proporcionar o triunfo, e durante os três festejos de 2026, mais de 30.000 pessoas assistiram às corridas. Algo de bom devem estar a fazer.
Dito isto, e em jeito de interlúdio, chego ao que me trouxe aqui, escrever sobre a corrida de 10 de junho em Santarém.
Toiros proporcionaram triunfos
Para a arte de Marialva saíram da porta dos curros quatro toiros de António Raul Brito Paes. Indo muito além de cumprirem com a função apenas, fizeram-no de forma excecional. Destaque para os toiros lidados por João Moura Jr., logo o primeiro e quarto da ordem, indultados pelo ganadero após a corrida.
Se o que abriu praça perseguia o cavalo do ginete de Monforte de forma incessante. Viu-se um Moura Jr. a atacar o toiro ao pitón contrário, mas já no quarto, tudo foi diferente e para melhor! Este era um toiro de bandeira, dos tais que descompõe quem não estiver a valer na sua frente. Tal como aconteceu no primeiro, a sorte de gaiola saiu vibrante e perante um hastado colaborante e que se arrancava de praça a praça, uma sucessão de três ferros curtos, sendo o segundo o melhor destes, colocaram os aficionados que encheram a Celestino Graça de acordo.
Posteriormente a resposta de João Ribeiro Telles não demorou, e fê-lo de forma convincente. Perante um lote com menor qualidade do que o anterior, o da Torrinha teve uma lide cumpridora no primeiro, mas tal como o seu rival, foi no último que a história se alterou. O toiro permitia uma aproximação mais à medida da casa e João deixou-lhe uma série de curtos importante. Citou de largo deixando-se ver, levando a montada a passo, fazendo com isso, aumentar o borburinho nas bancadas, para cravar de frente. A montada, essa, a redondear-se na cara do toiro, com o ferro a cair no dorso na perpendicular, um autêntico hino do que é tourear a cavalo à portuguesa.
Rivalidade deu empate
Para pegar os toiros da corrida as duas formações de maior antiguidade da tauromaquia nacional, os Grupos de Forcados Amadores de Santarém e Montemor.
Ambos cumpriram as funções sem problemas de maior, registando-se quatro pegas à primeira tentativa. Pelos de Santarém foram caras Francisco Cabaço e Caetano Gallego, quanto a mim a melhor da tarde, e pelos de Montemor, José Maria Pena Monteiro e Vasco Ponce.
Juan Ortega, classe e temple
Além disso e tal como nos tem habituado, a Associação Sector 9, trouxe uma figura do toureio apeado para compor o cartel. E por fim, de Sevilha chegou Juan Ortega, e que em boa hora o fez. Benditas muñecas, começo por dizer. Tal como aconteceu com os seus alternantes, também o diestro espanhol teve no seu lote dois toiros, de Calejo Pires, em tudo diferentes.
O primeiro brusco e sem classe, não permitiu o luzimento a Ortega, reservando para o fim os melhores momentos da corrida.
Talvez levado pelo preenchimento das bancadas de aficionados ansiosos por vê-lo, Ortega veio mais disposto. Iniciou a função com poderosas verónicas, e logo após a troca de tércio, entrou ao quite com chicuelinas no centro da arena. Já de muleta na mão, a faena arrancou dobrando-se e a primeira série saiu vibrante, para depois com a figura erguida presentear o público com um recital de bom toureio. O de Calejo Pires era um toiro em tudo diferente ao irmão, e com ele o de Sevilha foi a mais e não deixou ninguém indiferente ao que fazia na arena.
Disfrutou e fez-nos disfrutar de um recital de toureio puro, de empaque, temple, caro, daquele que cabe em Santarém, Maestranza de Sevilha ou Las Ventas. Na memória ainda trago os olés que me explodiram da garganta, ao ver tal obra de arte.
Olé Juan Ortega! Se houvessem mais triunfos assim, as corridas mistas em Portugal não seriam uma miragem.
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