A Monumental Celestino Graça recebeu no passado sábado, dia 6 de junho, a tradicional Corrida dos Agricultores (CAP).

Integrada na programação da Associação Sector 9, a corrida voltou a apostar no formato de concurso de ganadarias, devolvendo à arena uma componente de imprevisibilidade que continua a distinguir este tipo de espetáculo.

Em praça estiveram os cavaleiros João Moura CaetanoMarcos Bastinhas e Francisco Palha.

Enquanto os Forcados Amadores de Santarém assumiram, em solitário, a responsabilidade das pegas da tarde solarenga sob a liderança do cabo Francisco Graciosa.

Mais do que os nomes anunciados, grande parte da expectativa concentrou-se nos seis toiros em concurso.

Oriundos das ganadarias Oliveira Irmãos, Dr. António Silva, Torre Onofre (substituindo o Toiro de Manuel Veiga que não passou no reconhecimento), Santa Maria, Canas Vigouroux e Mata-o-Demo.

Cada ferro trouxe consigo características distintas, proporcionando uma corrida variada e obrigando os intervenientes a adaptar-se constantemente ao comportamento de cada exemplar.

Entre eles, destacou-se o toiro da ganadaria Oliveira Irmãos, distinguido no final da corrida como vencedor do concurso, reforçando a boa imagem deixada pelo ferro numa das praças mais emblemáticas da temporada portuguesa.

Ao longo da tarde, foi precisamente essa diversidade que marcou o ritmo da corrida.

João Moura Caetano voltou a evidenciar a maturidade que tem demonstrado nas últimas temporadas, procurando sempre interpretar aquilo que cada toiro lhe oferecia.

Marcos Bastinhas protagonizou um dos momentos mais emotivos da tarde, recebendo um forte reconhecimento do público presente numa atuação carregada de simbolismo.

Francisco Palha, por sua vez, manteve a linha de regularidade que o tem acompanhado, procurando construir cada lide com critério e sentido de oportunidade.

Nas pegas, os Amadores de Santarém voltaram a assumir o protagonismo habitual de uma encerrona de grupo.

A entrega, a coesão e a responsabilidade perante os toiros em concurso acabaram por reforçar a ligação entre a praça e aqueles que representam a cidade dentro da arena.

Um dos momentos mais marcantes da corrida surgiu perante o exemplar da ganadaria Dr. António Silva.

A dificuldade apresentada pelo toiro obrigou a uma pega de cernelha, situação sempre exigente e pouco frequente, que acabou por arrancar uma forte reação dos aficionados presentes e demonstrar, uma vez mais, a entrega dos Amadores de Santarém.

Mais do que uma corrida de triunfos ou estatísticas, Santarém viveu uma tarde onde o toiro ocupou o lugar central.

E é precisamente essa essência que continua a dar sentido aos concursos de ganadarias: a oportunidade de observar diferentes encastes, diferentes comportamentos e diferentes formas de entender a bravura.

Num tempo em que tantas corridas procuram seguir fórmulas semelhantes, Santarém voltou a recordar que a diversidade também faz parte da riqueza da tauromaquia.

E, por isso mesmo, a Corrida dos Agricultores continua a ocupar um lugar próprio no calendário taurino nacional.

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