A Palha Blanco é, orgulhosamente, a Praça de Toiros onde mais se exige em Portugal. O público é, na sua maioria, conhecedor do que se passa na arena e talvez por isso, o limbo entre pitos e aplausos façam de cada tarde, um acontecimento. No entanto, o público da cidade ribeirinha é justo e, quando se entrega, o triunfo tem outro som.
Para a corrida comemorativa dos 125 anos da Palha Blanco, o empresário Bernardo Alexandre decidiu trazer Miguel Moura e Tristão Ribeiro Telles, dois jovens que, na presente temporada, foram dos mais destacados cavaleiros, e a figura do toureio Daniel Luque, que já havia atuado na Nazaré este ano.
Miguel Moura entre dois momentos distintos
Miguel Moura chegava a Vila Franca embalado pelos gordos triunfos do Campo Pequeno e Nazaré e, no Murteira que abriu praça, mostrou ao que vinha.
O toiro teve mobilidade e Miguel não se fez rogado. Aproveitou a cadência pós-ferro para, com os característicos ladeios a duas pistas, colocar o público do seu lado.
Já no que abriu a segunda parte, a história foi outra. Depois de mais de 30 minutos de espera, motivados pela demora na substituição do de Sommer D’Andrade, e apesar do bom sobrero oriundo da Galeana, o ambiente arrefeceu muito e Miguel acabou por passar praticamente incólume.
Tristão Ribeiro Telles e o grande toiro da Galeana
Com Tristão Ribeiro Telles, aconteceu o inverso.
O primeiro de Sommer, com mais de 700 Kgs, esperava e atravessava-se no momento do ferro, o que não deixou o cavaleiro confortável. Além disso, a tardia concessão de música por parte da direção de corrida, não o beneficiou.
No entanto, o melhor toiro do seu lote estava guardado para a segunda atuação.
O de Grave, ferrado com o nº4, foi bravo e codicioso e quando provocado, arrancava de praça a praça com alegria. Tristão deu-lhe a lide que este merecia, com ferros que não deixaram ninguém indiferente, principalmente os últimos dois, a encontrar o toiro debaixo do braço para cravar de alto abaixo.
No final da lide, a ganadera Joana Grave deu, merecidamente, a volta à arena com o cavaleiro e o forcado José Maria Cortes.
As pegas em Vila Franca
Pelos Amadores de Montemor-o-Novo, Joel Santos concretizou à segunda tentativa. José Maria Cortes pegou à primeira, numa pega em que contou com uma grande ajuda do cabo António Pena Monteiro.
Pelos Amadores de Vila Franca de Xira, Rodrigo Camilo concretizou à primeira tentativa a pega ao maior toiro da corrida, com outra grande ajuda do futuro cabo Rodrigo Dotti.
Já Miguel Faria precisou de três tentativas para fechar a sua pega.
Daniel Luque conquista a Palha Blanco
Para o toureio a pé, Daniel Luque voltou a mostrar o bom momento que atravessa.
Dois Falé Filipe exigentes obrigaram o matador espanhol a procurar soluções. Ainda assim, argumentos não lhe faltaram e o diestro teve capacidade para contornar as dificuldades impostas pelos exemplares do seu lote.
Se, no primeiro, ficou na retina um par de tandas pelo piton esquerdo, foi diante do último da tarde que deixou a verdadeira marca.
Quando poucos acreditavam que dali pudesse nascer uma grande faena, Luque não baixou os braços. Insistiu, deu-lhe tempo e, depois de ampliar as investidas do toiro, o rumo da história alterou-se.
A Palha Blanco valorizou o labor e acabou rendida ao matador.
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