A última corrida da temporada da Nazaré apresentava um interessante conjunto de seis cavaleiros no cartel. Se a alguns se pedia que dessem o passo em frente, outros chegavam à Praça de Toiros local a surfar a crista da onda. Era, precisamente, o caso do cavaleiro de Monforte. Depois do sonante triunfo alcançado na noite anterior, no Campo Pequeno, Miguel Moura chegava à Nazaré em momento cumbre.
E não deixou os créditos por mãos alheias.
Zambombazo de Miguel Moura
Parece que me estou a repetir, mas não há outra forma de o dizer: Miguel Moura atravessa um momento extraordinário.
Depois da corrida da noite anterior, chegava à Nazaré com renovadas expectativas para ver o cavaleiro de Monforte. E, em boa hora, o fiz. Tal como eu, também os milhares de espectadores que esgotaram, pela segunda vez na temporada, as bancadas da Nazaré tiveram motivos para sair satisfeitos.
Miguel Moura não procura aplausos fáceis. É frio, parcimonioso e parece tourear sempre sem pressa de agradar. No entanto, quando se monta a cavalo, fá-lo para deixar marca. O toiro saiu com pata da porta dos curros. Por isso, foram necessárias quatro voltas à arena até receber o primeiro ferro comprido.
Ainda assim, bastou esse momento para o público das sete saias se render definitivamente ao cavaleiro.
Além disso, o Passanha tinha teclas. Daquelas que permitem tocar uma sinfonia completa quando bem interpretadas. Miguel Moura, porém, sabia a partitura de trás para a frente. Nos curtos, deu-lhe vantagens e procurou sempre a distância certa para provocar a investida. Depois, rematou as sortes com a marca da casa: longos e intermináveis ladeios a duas pistas. A cada ferro, o público respondia com uma verdadeira explosão. Assim, a lide foi crescendo e atingiu patamares pouco comuns na temporada nazarena.
Provavelmente, foi a melhor actuação que vi de Miguel Moura.
Mais do que isso, e com larga margem, foi a melhor lide da temporada na Nazaré.
Enhorabuena!
António Ribeiro Telles montou cátedra
António Ribeiro Telles abriu a noite diante de um David Ribeiro Telles com qualidade e boas condições para a lide. Logo no início, o Maestro ensinou-lhe o caminho com dois ferros compridos à tira. Nos curtos, encontrou um oponente de investida mais aplumada. Ainda assim, o cavaleiro da Torrinha andou em verdadeiro plano de maestro. Mostrou-se sempre nos cites e colocou o cavalo na medida certa para evitar que o toiro se aborrecesse. Foi uma actuação correta, segura e plena de autoridade.
Telles Bastos sem matéria-prima
Seguiu-se Manuel Telles Bastos, que teve poucas oportunidades para mostrar o seu valor. Pela frente encontrou um David Ribeiro Telles manso, que esperou demasiado nos médios e condicionou claramente a lide. Ainda assim, o cavaleiro procurou construir a actuação possível perante um oponente que pouco colaborou.
Parreirita Cigano confirma temporada
Parreirita Cigano foi à Nazaré ratificar a interessante temporada que vem realizando em 2026. O cavaleiro do Cartaxo teve uma meritória prestação perante um Passanha que também colocou dificuldades. Ainda assim, soube procurar soluções e manteve a lide dentro de uma linha positiva. Não foi uma actuação de rompante, mas deixou uma boa imagem diante de um toiro complicado.
António Prates deu a cara
António Prates também teve, uma vez mais, de dar a cara.
O cavaleiro de Vendas Novas não encontrou facilidades no quinto toiro da noite, um Passanha que pouco ajudou. O início da lide esteve longe de convencer. Contudo, Prates soube corrigir o rumo e terminou claramente acima daquilo que havia mostrado nos primeiros momentos.
Há, aliás, uma nota que merece ser deixada.
Prates não toureou em Agosto. Quando um cavaleiro com este valor fica de fora no mês mais taurino do ano, alguma coisa parece estar profundamente errada.
É uma ausência difícil de compreender, sobretudo quando se olha para o valor demonstrado pelo cavaleiro.
Paco Velásquez diante de uma verdadeira fava
Selou a corrida Paco Velásquez, que regressava à Nazaré precisamente na mesma data em que triunfou em 2025.
Desta vez, encontrou pela frente o sobrero de David Ribeiro Telles, com 600 quilos.
Uma verdadeira “fava”, como se diz na gíria taurina.
Provavelmente, foi o maior toiro saído em toda a temporada nazarena.
Logo no início, o sério animal proporcionou um momento de aperto contra as tábuas. Além disso, o Passanha mostrou-se manso e pouco entregue à função. Consequentemente, não facilitou o labor do cavaleiro dos Riachos.
Paco Velásquez procurou contrariar as dificuldades e encontrar soluções perante um oponente que raramente colaborou. No entanto, a matéria-prima estava longe de ser a ideal para fechar uma corrida desta importância.
Os forcados também tiveram uma noite dura
Nas pegas, a história não foi muito diferente.
Pelos Amadores de São Manços, Manuel Valadas, precisou de três tentativas, enquanto o companheiro Rodrigo Grilo despachou a função à primeira.
João Armando, do Aposento da Chamusca, teve dificuldades perante a agressividade do oponente. O forcado precisou de quatro tentativas para concretizar a pega. Fechou a função dos chamusquenses Vasco Coelho dos Reis, bem à primeira tentativa.
Pelos Amadores de Caldas da Rainha, António Appleton pegou à primeira tentativa, quando tudo fazia parecer que sairia a meio da viagem.
Fechou a corrida Joaquim Lino, perante a fava pegou à quarta tentativa, com ajudas carregadas.
Veja as imagens da Corrida que encerrou a temporada da Nazaré.
Siga-nos nas nossas redes socais.
Nota: Todos os direitos reservados. Sendo punível por lei, é proibida a reprodução total ou parcial das fotos sem autorização.
















