A corrida de toiros de Paio Pires voltou a demonstrar que o sucesso de um espetáculo não depende apenas dos nomes inscritos no cartel. Pelo contrário, depende da forma como todos os intervenientes conseguem construir uma noite capaz de emocionar os aficionados. É precisamente essa identidade que continua a distinguir o Concurso de Ganadarias Ibérico, que anualmente decorre na praça da margem sul do Tejo.

O toiro como protagonista

Desde logo, o Concurso Ibérico de Ganadarias devolveu o foco ao verdadeiro protagonista da festa: o Toiro. Este formato continua a ser um dos mais interessantes da temporada, porque permite comparar diferentes ganadarias e estilos de investida.

Naturalmente, nem todos os exemplares responderam da mesma forma às exigências da arena. Ainda assim, essa diversidade é precisamente o que enriquece um concurso desta natureza. Afinal, a bravura não se mede apenas pela regularidade, mas também pela personalidade que cada animal transmite durante a lide.

  • Além disso, o modelo utilizado pela Arena de Paio Pires incentiva aficionados, profissionais e críticos a analisarem critérios como a mobilidade, a transmissão, a raça e a capacidade de entrega dos toiros, tornando cada corrida única. Dito isto, a concurso estiveram os toiros:
  • Canas Vigouroux, 4 anos, 550 kgs. Uma estampa, e que embora saído dos currais diminuído foi, quiçá, o toiro que tinha o momento no embroque mais pujante.
  • Monteviejo (Vitorino Martin) acabou por se magoar e foi substituído.
  • Casa Prudêncio, 4 anos, 560 kgs. Violento e trotón. Frio de saída, veio a mais durante a lide.
  • Benítez Cubero, 4 anos, 540 kgs. Frio de saída, entregou-se pouco durante na ferragem curta, por vezes tapando-se no momento do ferro.
  • VIllamarta, 4 anos, 600 kgs. Com mobilidade. Interesse ainda que sem ultrapassar a fasquia da qual poderia ser considerado bravo.
  • Passanha Sobral, 4 anos, 580 kgs. Uma estampa, mas revelou-se trotón e brusco.
  • Fora de Concurso: Canas Vigouroux

No final da Corrida, os prémios debravura e Apresentação foram conquistados pelo exemplar de Villamarta.

Inspiração artística sem a regularidade desejada

No plano artístico, a corrida apresentou momentos de evidente qualidade. Houve atuações capazes de entusiasmar os tendidos e de criar ligações intensas com o público. Contudo, essa inspiração não se prolongou de forma consistente ao longo da noite. Em vários momentos, a intensidade perdeu-se e a emoção acabou por surgir apenas de forma pontual.

Gilberto Filipe lidou os toiros de Canas Vigouroux e Villamarta. O cavaleiro da Atalaia acabou por sair por cima dos companheiros de cartel, ainda que sem deslumbrar.
Miguel Moura continua a revelar o bom momento, permanentemente ligado aos toiros, quer na preparação ou remate das sortes.
Se Gilberto Filipe foi bafejado pela sorte no sorteio, por outro lado, a António Prates saiu-lhe a fava da corrida. Este lidou os toiros Benitéz Cubero e Passanha Sobral e perante tais investidas, ou falta delas, foi evidente a dificuldade do cavaleiro em se acoplar.

Os forcados continuam a ser uma das maiores forças da festa

Sempre que a corrida atravessa fases menos conseguidas, os forcados acabam por assumir um papel determinante. Mais uma vez, coube-lhes alguns dos momentos de maior emoção da corrida.

Para a cara neste Concurso de Ganadarias, estiveram de forma limpa o Grupo de Forcados de Lisboa, Daniel Nascimento, Tomé Batalha e José Duarte, todos à primeira tentativa. Enquanto pelo Grupo de Forcados Amadores de Coruche, foram caras Pedro Galamba à 2ª, António Tomás, enorme a receber, à 1ª e João Prates, dura à 2ª tentativa.

Nota: Todos os direitos reservados das fotografias da corrida de Paio Pires. Sendo punível por lei, é proibida a reprodução total ou parcial das fotos sem autorização.
Conheça as nossa redes socais aqui.