Uma praça com história, uma data com tradição

Há datas que parecem ter ficado agarradas às paredes das praças. Em Reguengos de Monsaraz, o 15 de agosto é uma delas.

A Praça de Touros José Mestre Batista prepara-se para voltar a receber uma noite de gala, desta vez com uma corrida mista que reúne nomes de diferentes vertentes da tauromaquia.

O espetáculo está marcado para as 22h00, antecedido, pelas 21h30, pela tradicional Procissão de Velas.

A escolha da data carrega, aliás, um significado especial. Foi precisamente a 15 de agosto de 1924 que esta praça abriu as suas portas pela primeira vez, perante uma plateia cheia de entusiasmo.

Construída segundo projeto de António Caeiro do Forno, a José Mestre Batista tornou-se parte da paisagem e da memória taurina de Reguengos.

Vergílio Ferreira escreveu um dia que o lugar onde crescemos deixa uma marca que se confunde com aquilo que somos.

Em Reguengos de Monsaraz, essa marca também se encontra na memória da sua praça, nas vozes das bancadas e numa tradição que continua a encontrar espaço no presente.

É nesse encontro entre memória e continuidade que a José Mestre Batista volta a abrir as suas portas.

Não apenas para recordar o passado, mas para manter viva uma atividade que continua a fazer parte da identidade local.

Um cartel pensado para uma noite de diferentes linguagens

No toureio a cavalo, o cartel junta João Salgueiro e Tristão Ribeiro Telles.

Salgueiro regressa assim a uma praça que conhece e onde a sua presença ganha ainda maior significado pelo percurso que tem vindo a construir nesta temporada.

Do outro lado, Tristão Ribeiro Telles representa uma geração que procura afirmar-se mantendo vivo o seu Toureio.

Na lide a pé estará o espanhol Manuel Escribano, matador experiente que traz para Reguengos a linguagem própria do toureio apeado e uma forma diferente de interpretar o encontro com o toiro.

Será, por isso, uma noite de contrastes dentro da arena, sem que isso retire unidade ao espetáculo.

Seis Falé Filipe para a arena

A completar o cartel estarão seis toiros da ganadaria Falé Filipe, responsáveis por colocar diante dos toureiros a matéria-prima indispensável para que cada um encontre a sua própria expressão.

No centro da corrida estará também a dupla de grupos de forcados: Amadores de Lisboa e Amadores de Monsaraz.

Para o grupo da terra, a presença nesta noite assume naturalmente um significado particular. Pegar em casa, diante da sua afición, acrescenta sempre uma responsabilidade que vai muito além do momento da pega.

Uma praça que voltou a ganhar vida

Mais do que apresentar um cartel, a Reguengos Afición tem procurado devolver centralidade à José Mestre Batista.

A associação nasceu precisamente com o propósito de explorar a praça e revitalizar a atividade taurina local, assumindo um compromisso de vários anos com este espaço histórico.

A temporada de 2026 confirma essa intenção. Depois das corridas de abril e junho, Reguengos prepara agora uma noite que junta tradição, figuras consagradas, juventude e diferentes formas de interpretar a tauromaquia. 

E é também por isso que a noite de 15 de agosto merece atenção.

Porque numa praça inaugurada há mais de um século, cada novo cartel não é apenas mais uma corrida no calendário.

É mais uma página acrescentada a uma história que continua a ser escrita dentro da arena.

Reguengos de Monsaraz volta, assim, a vestir-se de gala. E a José Mestre Batista prepara-se para abrir novamente as suas portas à tauromaquia.

Fotos de Capa: João Salgueiro – Luís Rato / Manuel Escribano – Reguengos Aficion / Tristão R. Telles – João Simões