A Feira Taurina das Sanjoaninas prosseguiu no passado dia 22 de junho com uma corrida mista que voltou a confirmar a forte ligação da Ilha Terceira à tauromaquia.
Perante uma praça muito bem composta e um público profundamente conhecedor, viveu-se uma tarde marcada pela diversidade de estilos e pela forma como a tradição portuguesa voltou a cruzar-se com o toureio a pé espanhol.
O cartel reuniu os cavaleiros João Pamplona, o mais novo cavaleiro da dinastia terceirense Pamplona, e João Moura Júnior, um dos nomes mais sólidos da atualidade, a par do jovem matador espanhol Marco Pérez, cuja presença despertava natural expectativa junto dos aficionados.
Nas pegas estiveram os Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense e os Forcados Amadores de Turlock, da Califórnia, dois grupos que voltaram a simbolizar a ligação histórica entre os Açores e a comunidade emigrante.
Foram lidados quatro toiros da Casa Agrícola José Albino Fernandes e dois toiros da ganadaria João Gaspar, num curro que apresentou comportamento variado ao longo da tarde.
Uns exemplares permitiram maior expressão e continuidade nas lides, enquanto outros exigiram mais paciência, colocação e capacidade de leitura por parte dos intervenientes.
Essa alternância acabou por imprimir diferentes ritmos à corrida e manteve vivo o interesse do público do princípio ao fim.
João Pamplona deixou uma das atuações mais consistentes da tarde, demonstrando segurança, critério e uma boa ligação com os toiros que lhe couberam em sorte.
A resposta das bancadas confirmou o reconhecimento dos aficionados perante uma prestação que acabou por reunir amplo consenso entre quem acompanhou a corrida.
João Moura Júnior voltou a apresentar o conceito de toureio que o caracteriza, procurando construir cada lide com seriedade, serenidade e rigor técnico.
Por sua vez, Marco Pérez justificou a expectativa criada em torno da sua presença nas Sanjoaninas.
O jovem matador espanhol voltou a revelar personalidade, recursos e uma maturidade pouco habitual para a idade, confirmando porque é apontado como um dos grandes valores da nova geração do toureio.
Também a forcadagem voltou a ocupar o seu lugar de destaque.
A Tertúlia Tauromáquica Terceirense respondeu perante o seu público com entrega e determinação, enquanto os Amadores de Turlock reforçaram, uma vez mais, os laços que unem a diáspora açoriana à festa brava.
Mais do que os momentos vividos na arena, esta segunda corrida das Sanjoaninas voltou a demonstrar que a tauromaquia continua a ser uma das expressões culturais mais marcantes da Ilha Terceira.
O ambiente nas bancadas, o entusiasmo dos aficionados e a forma como o público acompanhou cada momento ajudaram a construir uma tarde que ficará certamente na memória de quem teve o privilégio de a viver.
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