A corrida da passada quinta-feira, no Campo Pequeno, marcou o arranque da temporada lisboeta e correspondeu às elevadas expectativas criadas em torno do cartel. Morante de la Puebla foi o principal motivo de interesse, e o anúncio de No hay billetes com dias de antecedência antevia uma boa noite. No entanto, a corrida teve mais motivos para que os espectadores estivessem pendentes do que se passava na arena.
Desde logo a maestria de António Ribeiro Telles, o regresso do rejoneador Fermín Bohórquez e pela despedida de novilheiro de Tomás Bastos, antes da sua alternativa. Pegavam os Amadores de Santarém.
Morante (pre)encheu a praça de bom toureio
Tudo o que Morante faz tem empaque, classe e profundo sentido artístico. No de Álvaro Nuñez que abriu o seu lote, o matador colocou o conclave imediatamente no bolsillo, com as habituais verónicas. O toiro tinha recorrido, algo que pode ser verificado no capotazo de Fernando del Toro (imagem abaixo), no entanto, apagou-se rapidamente. O de la Puebla deu-lhe a lide possível, ainda assim, foi uma faena pautada pelo bom gosto e muletazos com muita profundidade.
Outra história pode-se contar do segundo do seu lote, este foi mais frio de saída, não permitindo Morante bordar com o toureio de capa. Mas posteriormente, saiu mais um rasgo de genialidade do maestro, este agarrou as bandarilhas e colocou a praça em alvoroso. Os pares não saíram limpos, mas ficou-me na retira, e na lente da câmara felizmente, o primeiro par. De poder a poder, a assumar-se ao balcón. Depois já de muleta na mão, foi o deleite dos aficionados. No final, Porta Grande!
Veja o vídeo baixo.
Bastos, preparado para alternativa?
Outro dos destaques da corrida mista do Campo Pequeno, era Tomás Bastos. O jovem vilafranquense tira a alternativa na próxima sexta-feira em Santander, e esta corrida marcava a despedida do escalafón inferior. Depois de uma campanha de 2026 marcada pela incerteza, ainda não foi desta que colocou todos os aficionados de acordo.
No primeiro Las Cercada, demonstrou vontade, mesmo após a colhida no quite de capote. Esteve melhor no segundo, ainda que o brusco novilho não o tenha permitido fazer o toureio despacioso que Tomás gosta.
Pese embora, as condições não fossem favoráveis, (tourear depois de Morante não é fácil, o público tende-se a esgotar com este), Tomás revelou uma das poucas coisas que se pede a um novilheiro, estar em novilheiro. Este mostrou disposição e mesmo que já não o faça com regularidade, a atitude de Morante fez com que também ele, pegasse nas bandarilhas. Na muleta, o toiro permitia-se um pouco mais que o anterior e os olés foram audíveis.
Maestria e boas pegas
Das lides a cavalo não há muita história para contar. Lide com a habitual maestria de António Ribeiro Telles e um regresso de Fermin Bohorquez a Lisboa, que pouco ou nada trouxe para recordar. Os bons toiros de Murteira Grave foram pegados pelos Amadores de Santarém, sendo os caras, o cabo Francisco Graciosa à primeira tentativa e Salvador Ribeiro de Almeida, dura à segunda.
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