Há noites com expectativa. Mas, há outras que essas saem goradas. A noite alternativa de Duarte Fernandes, no Campo Pequeno, pertenceu claramente à segunda categoria e no final a montanha pariu um rato!

O Campo Pequeno estava cheio. E pese embora o ambiente ser extraordinário, de haver expectativa, uma alternativa aguardada, um cartel composto por algumas das maiores figuras, público. Tinha tudo para ser uma corrida sonhada, mas faltou o mais importante, o Toiro! E sem Toiro, não há tauromaquia.

A noite de 6 de Agosto no Campo Pequeno pode ser resumida da seguinte forma:

Duarte Fernandes saiu consagrado da sua alternativa. Rui Fernandes voltou a mostrar a razão pela qual continua a ser uma referência. Diego Ventura, mesmo longe do seu melhor, tentou encontrar soluções onde elas praticamente não existiam.

Mas houve um denominador comum nas três actuações. Os toiros de Maria Guiomar Cortes de Moura não ajudaram. E numa corrida de toiros, por muito que custe dizê-lo, isso conta. Muito!

Havia presença, faltou o resto

Não se pode dizer que os toiros apresentados não tivessem presença. Tinham-na.

Alguns apresentaram peso e imponência suficientes para o cenário que os esperava. Mas a tauromaquia, embora por vezes pareça, não vive apenas de aparências. É preciso mais. É preciso mobilidade, transmissão, repetição, aquela vontade de investir que permite ao cavaleiro construir uma lide e ao público ficar pendente cada momento. E foi precisamente aí que a corrida ficou a dever.

Na generalidade, os toiros foram reservados, parados e pouco colaborantes. Alguns tiveram uma passagem mais interessante pela arena, mas faltou consistência. Faltou continuidade.

Duarte encontrou a excepção

O primeiro toiro da corrida, “Triunfador”, foi precisamente aquilo que os restantes não conseguiram ser. Alegre e com transmissão.

Duarte Fernandes percebeu imediatamente a oportunidade. E aproveitou-a. Não foi por acaso que a lide da alternativa acabou por ser um dos grandes momentos da noite.

Depois, a corrida mudou e o Campo Pequeno percebeu-o.

Rui Fernandes fez aquilo que os anos lhe ensinaram

Também para Rui Fernandes a noite era especial. Afinal era padrinho de alternativa do seu sobrinho, Duarte Fernandes. No entanto, teve de trabalhar. Muito. Os dois toiros que enfrentou exigiram-lhe experiência, conhecimento e capacidade para encontrar soluções.

Não foram fáceis e Rui esteve por cima deles. Essa é uma das virtudes dos grandes toureiros. Quando o toiro não oferece, o profissional procura. Quando não há facilidades, inventam-se caminhos.

Rui, a espaços encontrou-os, ainda que a matéria-prima tenha condicionado muito o labor do cavaleiro.

Ventura ficou ainda mais condicionado

Diego Ventura teve garantidamente o pior lote da noite. E isso, para um toureiro da sua dimensão, é particularmente cruel.

Ventura pode fazer coisas que poucos conseguem fazer. Os seus cavalos são capazes de transformar uma lide num espetáculo. A sua capacidade de improvisação é mundialmente reconhecida e a técnica permite-lhe encontrar soluções em terrenos onde outros já teriam desistido. No entanto, nem Diego Ventura faz omeletes sem ovos.

Os dois toiros que lhe tocaram foram, simplesmente, demasiado limitados, parados e complicados. Ventura tentou. Mas como num poço sem água, por mais que se mande o balde.

Quando a força teve de substituir a bravura

Se os cavaleiros tiveram a sua tarefa dificultada, os forcados não tiveram melhor sorte. Pelo contrário.

Os toiros de Maria Guiomar Cortes de Moura colocaram problemas desde o primeiro momento. Pouco colaboradores, reservados e, em vários casos, com tendência para se fecharem depois da primeira reunião, obrigaram os forcados da cara a acrescentar coragem à técnica.

E foi isso que fizeram os grupos do Aposento da Moita e dos Amadores de Turlock. Não tiveram uma noite fácil. Longe disso.

O cabo Luís Canto Moniz abriu as hostilidades pelo Aposento da Moita e resolveu à primeira. António Lopes Cardoso precisou de uma segunda tentativa, antes de concretizar uma pega que teve ainda mais valor pela dificuldade do animal em se arrancar. O forcado foi obrigado a pisar-lhe os terrenos, por baixo do hocico, num momento de grande exposição. André Silva fechou a actuação do grupo com outra pega consumada à primeira.

Do outro lado, os Amadores de Turlock celebraram os seus 50 anos numa noite especial.

Bryce Rocha precisou de fechar a sesgo à quarta tentativa para concretizar a sua pega, acabando for fraturar um pulso durante a terceira delas. Joseph Pereira resolveu à primeira e Fábio Vieira fez o mesmo, fechando a prestação do grupo californiano.

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