Uma data que continua a ter significado
Coruche volta a colocar a tauromaquia no centro das suas Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo.
No próximo 17 de agosto, pelas 18h30, a Praça de Toiros de Coruche recebe uma corrida que junta competição, tradição local e um cartel pensado para uma tarde de forte interesse taurino.
José Saramago escreveu que “somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos”.
A frase ganha particular sentido em Coruche, onde a tauromaquia não vive apenas do presente, mas também da memória de quem ajudou a construir esta identidade.
E nesta corrida há uma memória que merece ser destacada.
55 anos dos Forcados de Coruche
Os Amadores de Coruche vão pegar em solitário, sob o comando de João Prates, numa tarde que assinala os 55 anos do grupo.

A efeméride cruza-se ainda com a própria história das festas.
Foi a 17 de agosto de 1971 que os forcados coruchenses se apresentaram na sua terra natal, depois da estreia oficial nas Caldas da Rainha, em junho desse ano.
Agora, 55 anos depois, regressam à mesma data para assumir sozinhos a responsabilidade das seis pegas.
Três cavaleiros para seis desafios
A lide a cavalo estará entregue a João Ribeiro Telles, João Salgueiro da Costa e ao cavaleiro praticante Luís Pimenta.
Ribeiro Telles chega a Coruche como um dos nomes de referência da atual temporada.
Enquanto Salgueiro da Costa garantiu a sua presença no cartel depois do triunfo alcançado no festejo de 30 de maio.
Luís Pimenta também conquistou o seu lugar depois de se destacar no festival realizado na mesma data.
Será, portanto, uma tarde onde experiência e juventude vão medir argumentos perante um conjunto de seis desafios.
Um concurso com sotaque do Sorraia
A apimentar esta corrida está um Concurso de “Ganadarias do Sorraia“, reunindo inicialmente exemplares de Lopes Branco, Dr. António Silva, Vale Sorraia, Cunhal Patrício, Conde de Murça e Fontembro
Entretanto, o toiro inicialmente destinado a representar a ganadaria Dr. António Silva foi substituído por um exemplar de David Ribeiro Telles, alteração que modifica a composição inicialmente anunciada do concurso.
É, assim, um elenco de seis ferros ligado a uma das regiões de maior tradição ganadeira do país, colocando diante dos cavaleiros e dos forcados diferentes origens e encastes para uma tarde em que também estará em disputa o reconhecimento do melhor exemplar.
Coruche prepara, desta forma, uma corrida onde o calendário taurino encontra a memória da terra.
De um lado, três cavaleiros.
Do outro, seis ganadarias.
No centro da arena, os Amadores de Coruche, sozinhos perante seis pegas.
E há datas que não precisam de grandes explicações. 17 de agosto é uma delas.

(Foto de capa: Luís Rato)

