Falta menos de uma semana para o arranque do certame mais importante de Vila Franca de Xira, o Colete Encarnado. E para colocar água na boca dos aficionados, o ProjetArte conseguiu entrevistas exclusivas com os intervenientes da corrida na Palha Blanco.
Para arrancar o paseíllo é nosso convidado Bernardo Alexandre, gestor do tauródromo vilafranquense. Em conversa franca, o empresário revelou a responsabilidade de gerir a Praça de Toiros de Vila Franca e montar os cartéis. Fazê-lo de maneira equilibrada, compartindo, no entanto a exigência dos aficionados que preenchem as bancadas da Palha Blanco.
Falou-nos também da importância da data no panorama taurino nacional, do regresso de João Salgueiro, da inclusão das primeiras figuras da tauromaquia actual, tanto a cavalo como a pé, na figura do forcado vilafranquense e claro na exigência ganadera.
Pelo que deu a entender, nada é deixado ao acaso, e no ano em que a Praça de Toiros de Vila Franca completa 125 anos de existência, muito menos. Espero que goste.
PA – A Corrida do Colete Encarnado é uma das datas mais emblemáticas da temporada. Que critérios estiveram na base da construção deste cartel?
BA – O Colete Encarnado não é apenas mais uma corrida. É o dia em que Vila Franca de Xira se reencontra consigo própria.
Quando começámos a desenhar este cartel sabíamos que não bastava reunir bons nomes. Era preciso construir uma corrida que emocionasse os aficionados, que respeitasse a história da Praça e que estivesse à altura de um ano tão especial como este, em que celebramos os 125 anos da Palha Blanco.
O regresso de João Salgueiro é sem dúvida um dos maiores destaques de toda a temporada portuguesa. É um cavaleiro que deixou uma marca profunda na memória de todos os aficionados e que volta a pisar esta praça no dia do seu regresso às arenas.
Ao seu lado estará João Moura Jr., que atravessa um dos melhores momentos da sua carreira e que vem decidido a afirmar-se numa praça onde ninguém conquista o reconhecimento sem o merecer.
E depois temos Borja Jiménez. Hoje é, sem dúvida, uma das grandes figuras do toureio mundial. A sua presença dignifica qualquer praça e era importante que também os aficionados portugueses pudessem vê-lo atuar na Palha Blanco.
Quando juntamos estes nomes ao Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e a um curro da Condessa de Sobral, acredito sinceramente que temos todos os ingredientes para uma corrida que ficará na memória.PA – A exigência ganadera é um dos estandartes da empresa, algo que ficou comprovado tanto na temporada passada, como em particular, na corrida da Feira das Tertúlia, na qual a crítica se rendeu.
Os toiros de Condessa de Sobral são conhecidos pela seriedade e trapio, o que o levou a apostar nesta ganadaria para uma corrida desta importância?BA – Porque em Vila Franca o protagonista continua a ser o toiro. Podemos ter o melhor cartel do mundo, mas se faltar um grande curro nunca teremos uma grande corrida. Essa é uma convicção muito forte da nossa equipa.
A Ganadaria Condessa de Sobral representa exatamente aquilo que procuramos: seriedade, trapio, emoção e respeito pelo aficionado.
Quem entra na Palha Blanco sabe que aqui o público olha primeiro para o que sairá pela porta dos sustos. E faz muito bem. É essa cultura de exigência que queremos preservar. Só assim continuaremos a honrar a história desta Praça.PA – Vila Franca é conhecida por ter um dos públicos mais exigentes do país. Até que ponto essa exigência condiciona as suas escolhas?
BA – Condiciona tudo e ainda bem. Nunca vi essa exigência como um problema. Pelo contrário, considero-a uma enorme responsabilidade. Os aficionados de Vila Franca conhecem o toiro, conhecem os artistas e conhecem esta Praça como poucos. Aqui não há espaço para facilitismos. Cada corrida é preparada ao detalhe porque sabemos que o público não aceita menos do que o melhor. É precisamente essa exigência que fez da Palha Blanco uma referência nacional. E é essa exigência que queremos continuar a merecer.
PA – Um cartel para juntar diferentes gerações de aficionados?
BA – Creio que sim, e isso era um dos nossos grandes objetivos. Temos o regresso de João Salgueiro, que desperta uma enorme emoção em quem acompanhou a sua brilhante carreira.
Temos João Moura Jr., um cavaleiro plenamente afirmado e apontado por muitos como o nº1 em Portugal.
Temos Borja Jiménez, que representa o presente e o futuro do toureio mundial.
E temos os Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, que são parte da identidade desta cidade.
É um cartel que fala para quem conhece profundamente a festa, mas também para quem talvez venha à Praça pela primeira vez. Se conseguirmos que um jovem entre na Palha Blanco e saia apaixonado pela tauromaquia, teremos ganho muito mais do que uma corrida.PA – Que mensagem deixa aos aficionados que ainda estão indecisos?
Diria apenas isto.
Há muitas corridas de toiros.
Mas há tardes que passam a fazer parte da história de uma praça. Tenho a convicção de que o próximo dia 5 de julho será uma dessas tardes. Celebramos 125 anos de história. Regressa um dos cavaleiros mais queridos desta afición. Ao lado de duas grandes figuras do toureio mundial da atualidade. Temos um curro escolhido para honrar a exigência de Vila Franca. E teremos, como sempre, os Forcados Amadores de Vila Franca de Xira a representar a alma desta terra.
Agora falta apenas uma peça para que o quadro fique completo. Os aficionados. Porque uma praça pode ter os melhores artistas, os melhores toiros e a melhor organização. Mas tudo isto só tem sentido quando as bancadas se enchem. E poucas imagens são tão bonitas como ver a Palha Blanco cheia. É para isso que trabalhamos todos os dias.
Agradecendo desde já a disponibilidade concedida para esta entrevista, na qual o empresário acredita estarem reunidos todos os ingredientes para uma tarde de grandes emoções. Por isso, se quiser assistir à corrida pode adquirir os bilhetes através da bilheteira online, disponível ao clicar aqui.

