Boa apresentação do curro de São Marcos, três cavaleiros inspirados e pegas de grande entrega marcaram a primeira noite de uma das feiras mais emblemáticas da temporada.
A tauromaquia faz parte da identidade de Abiul há várias gerações.
É uma herança que continua viva nas Centenárias Festas do Bodo e que, ano após ano, reúne aficionados de diferentes pontos do país em torno da mais antiga praça de toiros em atividade em Portugal.
Quem conhece a tradição taurina portuguesa sabe que a pequena vila do concelho de Pombal respira tauromaquia de uma forma muito própria.
As Centenárias Festas do Bodo representam muito mais do que um ponto alto do calendário festivo da região.
São também um encontro entre gerações de aficionados que, ano após ano, continuam a fazer da mais antiga praça de toiros em atividade em Portugal um local de culto para quem vive esta cultura.
Foi precisamente esse ambiente que voltou a sentir-se na noite de 1 de agosto, com uma praça muito bem composta e uma envolvência que fez lembrar porque razão Abiul continua a ocupar um lugar especial na temporada taurina nacional.
Antes mesmo de soar o primeiro clarim, já se respirava ambiente de festa nas imediações da praça, num cenário onde tradição e convívio caminham lado a lado.
Em praça saiu um curro de São Marcos que deixou excelente impressão desde a apresentação.

Toiros bem de forma geral bem rematados, com seriedade, peso e expressão, mas que, acima de tudo, revelaram mobilidade e disponibilidade para a lide.
Um conjunto que permitiu desenvolver faenas de interesse e que contribuiu decisivamente para o bom nível global do espetáculo.
Perante eles, João Ribeiro Telles, Luís Rouxinol Júnior e Duarte Fernandes confirmaram o excelente momento que atravessam.
Cada um dentro do seu real conceito, procurou interpretar as investidas do seu oponente.
Lides feitas com verdade e com uma forte ligação ao público, proporcionando momentos de grande qualidade ao longo da corrida.
Merece especial referência Duarte Fernandes, que voltou a deixar evidente a confiança e maturidade com que chega a esta fase decisiva da sua carreira.
A poucos dias de receber a alternativa no Campo Pequeno, o jovem cavaleiro mostrou personalidade, ambição e uma motivação bem visível, encarando cada lide como mais um passo na preparação para um dos dias mais importantes da sua vida taurina.

Nas pegas, tanto os Académicos de Coimbra como os Amadores de Turlock encontraram um curro exigente, que pediu rigor, determinação e capacidade de superação.
Houve pegas de enorme intensidade, algumas delas verdadeiramente rijas, obrigando os grupos a responder com união, técnica e coragem.
Foram precisamente esses momentos de dificuldade que acabaram por valorizar ainda mais o trabalho desenvolvido pelos forcados, demonstrando que o êxito também se conquista quando o toiro exige tudo de quem o enfrenta.
No final, mais do que analisar triunfos individuais, ficou a sensação de que Abiul voltou a oferecer exatamente aquilo que o aficionado procura quando atravessa as portas da sua praça: uma corrida séria, emotiva e genuína.
Da qualidade do curro à entrega dos cavaleiros, da raça dos forcados ao ambiente vivido nas bancadas, tudo contribuiu para uma primeira corrida que honra a história da Feira Taurina das Centenárias Festas do Bodo.
Porque há corridas que terminam quando se fecha a porta da arena.
E há outras, como esta, que deixam vontade de regressar no espetáculo seguinte.
É precisamente essa capacidade de fazer o aficionado voltar que continua a distinguir também Abiul como uma das grandes referências da tauromaquia portuguesa.
Duas notas finais que merecem o devido destaque.
A corrida decorreu com fluidez, também muito graças à direção criteriosa de Sandra Strecht, que conduziu o espetáculo com serenidade e bom senso, contribuindo para que tudo decorresse dentro da normalidade.
A componente musical voltou igualmente a desempenhar um papel importante.
A Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898, de Alcochete, emprestou identidade e emoção à corrida, acompanhando cada momento com interpretações que enriqueceram o ambiente vivido na praça e reforçaram o carácter tradicional desta noite.
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