O palco de uma despedida
A história que começou em Azambuja há mais de duas décadas prepara-se para viver um dos seus capítulos mais emocionantes.

A 14 de setembro de 2026, o Bella Vista Park, em Gustine, Califórnia, recebe a corrida integrada na Festa em Louvor de Nossa Senhora dos Milagres.
Pelas 19h00 locais, a arena abrirá portas para aquela que será a última corrida de Paulo Jorge Ferreira nos Estados Unidos.
Em Portugal Continental serão 03h00 da madrugada de 15 de setembro.
Não será apenas mais uma corrida. Será a despedida de um cavaleiro que atravessou o Atlântico em busca de uma oportunidade e acabou por construir, na Califórnia, uma parte essencial da sua vida profissional.
Três cavaleiros, três percursos
Na sua “The Last Dance”, Paulo Jorge Ferreira partilhará a arena com Marcos Bastinhas e Francisco Palha.
Marcos Bastinhas leva para a Califórnia a escola e a tradição de uma das famílias mais reconhecidas do toureio a cavalo português.

Francisco Palha, por sua vez, representa uma geração que continua a afirmar-se pela personalidade e pela forma de interpretar o toiro.

Ao lado deles estará Paulo Jorge, agora no momento em que se fecha um ciclo iniciado há cerca de duas décadas.
A sua relação com a América não nasceu apenas das arenas. Desde 2005, o cavaleiro de Azambuja está radicado na Califórnia, onde também desenvolveu trabalho ligado ao cavalo e à formação e gestão da Coudelaria Martins.
Seis toiros para uma noite especial
A corrida terá seis toiros, repartidos entre duas ganadarias: três exemplares da Ganadaria Açoreana e três da ganadaria Joe Alves & John Silveira.
Seis toiros que chegarão à arena para colocar à prova a capacidade de interpretação dos três cavaleiros.
Cada lide terá o seu próprio caminho, desde a leitura do comportamento do toiro ao momento de encontrar a distância, o terreno e o tempo certos para construir a faena.
Azambuja e Turlock unidos na arena
A despedida terá ainda uma dimensão particularmente simbólica nas pegas.
Os Forcados Amadores de Azambuja, grupo da terra que Paulo Jorge Ferreira sempre carregou consigo, estarão em praça sob o comando de João Gonçalves.

Do outro lado estarão os Amadores de Turlock, capitaneados por George Martins Jr., precisamente no ano em que o grupo assinala 50 anos de existência.

Foto João Simões
Fundado em 1976, Turlock tornou-se o primeiro grupo de forcados criado fora de Portugal e permanece como um dos símbolos mais fortes da presença da tauromaquia portuguesa na Califórnia.
Como escreveu Fernando Pessoa, “tudo vale a pena se a alma não é pequena.”
Talvez seja essa a melhor forma de olhar para esta tarde.
Paulo Jorge Ferreira partiu de Azambuja, atravessou um oceano e encontrou na Califórnia o espaço onde construiu uma carreira, uma vida e um nome.
Agora, entrará na arena para dizer adeus.
E quando o último toiro sair da arena, ficará muito mais do que uma despedida: ficará a história de um homem que levou consigo a sua terra e ajudou a levar também a tauromaquia portuguesa para o outro lado do Atlântico.

Foto de Capa, gentilmente cedida por Paulo Jorge Ferreira.

