Uma corrida dentro de um programa maior
A Ribeira de Santarém prepara-se para receber, no próximo sábado, 26 de setembro, a II Grande Corrida de Toiros Raízes Vivas, integrada no programa do festival que, ao longo de dois dias, junta gastronomia, agricultura, património, cultura e tradições do Ribatejo.
A corrida terá início pelas 15h45, numa praça portátil instalada na Ribeira de Santarém. Além da componente taurina, o festejo assume também um propósito solidário, com as receitas a reverterem para o Santuário do Santíssimo Milagre.
É, portanto, uma tarde que procura juntar diferentes expressões da identidade ribatejana, levando para a arena uma das manifestações mais reconhecíveis da cultura taurina portuguesa.
Três cavaleiros de uma nova geração
No cartel, três nomes dão especial interesse à tarde.
Luís Rouxinol Jr. chega à Ribeira de Santarém com uma temporada preenchida e uma carreira que continua a afirmar-se entre os nomes mais acompanhados da nova geração do toureio a cavalo.
A sua agenda de 2026 inclui já passagens por algumas das principais praças portuguesas.
Ao seu lado estará Luís Pimenta, agora já cavaleiro de alternativa.
O jovem tomou a alternativa no passado dia 18 de setembro, em Almeirim, numa noite que marcou uma nova etapa da sua carreira.
Poucos dias depois desse momento importante, Pimenta regressa à arena. Desta vez, já com a responsabilidade e a condição de cavaleiro de alternativa, procurando dar continuidade ao caminho que agora começa.
Completa o cartel Vasco Veiga, ainda na categoria de praticante. O jovem cavaleiro terá pela frente mais uma oportunidade para mostrar os seus argumentos e continuar a ganhar experiência diante do público.
Seis toiros de João Ramalho
A corrida será composta por seis toiros da ganadaria João Ramalho, cabendo ao gado bravo uma parte fundamental daquilo que acontecerá na arena.
Porque, afinal, é o toiro que dita o ritmo da lide.
Cada investida, cada mudança de comportamento e cada resposta do animal obrigará os cavaleiros a encontrar soluções dentro dos terrenos que o toiro lhes conceder.
É aí que a técnica encontra o risco, e que o toureio deixa de ser apenas intenção para passar a ser resposta.
Duas jaquetas, o mesmo compromisso
Nas pegas estarão os Forcados Amadores de Santarém, capitaneados por Francisco Graciosa, e os Amadores do Aposento da Moita, sob o comando de Luís Canto Moniz.
Serão dois grupos a dividir entre si a responsabilidade de fechar a tarde na cara do toiro, acrescentando à corrida a entrega e o espírito coletivo que fazem parte da essência da corrida à portuguesa.
Como escreveu Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”
No sábado, na Ribeira de Santarém, haverá sonhos diferentes a encontrar-se no mesmo redondel: os de três jovens cavaleiros, os de dois grupos de forcados e, sobretudo, os de um público que encontrará no toiro o verdadeiro protagonista da tarde.
Raízes Vivas leva assim à arena uma corrida de toiros pensada para cruzar juventude, tradição e solidariedade, num sábado em que o Ribatejo volta a encontrar na tauromaquia uma das suas expressões culturais.


